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Unidade 01



Texto Introdutório da Unidade 01:





NOVAS TECNOLOGIAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM

O futuro é determinado pelas escolhas do presente.
C.G. Jung



A história humana é marcada pela história das técnicas (Veraszto, Silva, Miranda & Simon, 2005) e a informação e a comunicação parecem exercer papel fundamental ao longo de ambas, mesmo se observando os aspectos sócio-culturais de cada época e espaço.

 A palavra tecnologia tem origem na palavra grega techné, "técnica, arte, ofício", e logia, "estudo", referindo-se literalmente ao estudo das técnicas, das artes, dos ofícios. Entretanto, os significados atribuídos a esse termo ao longo dos tempos e lugares mudou consideravelmente de acordo com as interpretações que lhe foram conferidas, com as variações e modificações nas técnicas, na história do trabalho e nas produções do ser humano (Veraszto, Silva, Miranda & Simon, 2005). Independentemente dessas variações dos significados de "tecnologia", é inegável o papel dessa no desenvolvimento da humanidade e, quiçá, em sua própria definição:

A técnica surgia então, junto com o homem graças à fabricação dos primeiros instrumentos e a manifestação do intelecto humano na forma de sabedoria. De acordo com a Antropologia não há homem sem instrumento por mais rudimentares que sejam. São entidades que se autocompletam, de forma que se eliminado uma, a outra também desaparece por completo (Veraszto, Silva, Miranda & Simon, 2005).

A comunicação humana, por seu turno, designa um processo de troca de informações que utiliza sistemas simbólicos como suporte. Há uma infinidade de maneiras de se comunicar: a conversa face-a-face ou através de gestos com as mãos, a escrita, as mensagens eletrônicas textuais, imagéticas ou sonoras, e tantos outros meios que permitem interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional.

Por outro lado, a informação, palavra originada no latim informatio onis, "delinear, conceber idéia", enquanto conceito carrega a diversidade de significações conferidas por distintos períodos históricos e pelo âmbito de sua utilização. Pode ser compreendida como mensagem, como padrão representado, como resultado ou conjunto de registros, ou como resultado do processamento, manipulação e organização de dados que represente uma modificação, seja quantitativa ou qualitativa, no conhecimento do sistema – pessoa, animal ou máquina – que a recebe.

Na história das técnicas há alguns momentos marcantes relacionados a suas aplicações à informação e à comunicação: as pinturas rupestres, a invenção da escrita e de seus suportes, notadamente do papel, a criação da imprensa, o  advento das telecomunicações são alguns exemplos. Os registros pré-históricos nas paredes das cavernas e em pedras, por exemplo, formados por desenhos e sinais, podem ser considerados o início do hábito de retratar a cultura e hábitos de cada sociedade, como também podem representar formas de transmissão de informações importantes para uma cultura e sociedade específica responsável por sua criação, mas certamente foram muito importantes para a construção de uma noção da pré-história na modernidade. Já a invenção da escrita pode ser considerada um dos elementos responsáveis pela criação da própria história da humanidade, especialmente pelo fato de possibilitar a comunicação assíncrona, permitir a conservação e transmissão de informações no tempo e espaço, diminuir as fronteiras da distância e da temporalidade.


O papel – que veio a substituir o pergaminho e o papiro por sua praticidade, duração e custo mais baixo – associado à invenção da imprensa teve grande importância na difusão em larga escala de informação, de cultura e conhecimento. A partir do momento em que livros, jornais, manifestos puderam ser impressos e distribuídos em larga escala, a história do homem e suas técnicas sofreu um transformação radical, na qual o acesso à informação e a comunicação foram extremamente facilitado.

Toda mudança tecnológica exigiu da sociedade e das pessoas que a constituem adaptações e muitos são resistentes a elas. Veen e Vrakking (2009, pp. 20-21), em seu livro “Homo Zappiens: educando na era digital”, afirmam:

Toda nova tecnologia é, em geral, recebida com desconfiança. As pessoas que já conhecem o que existe considerarão com cuidado os possíveis benefícios e os pontos fracos de algo novo antes de adotá-lo. Com o passar do tempo,

contudo, a tecnologia começa a ser parte do dia-a-dia, de modo que não conseguimos viver sem ela. Imagine viver sem telefone.  Repentinamente, perderíamos contato com nossa família e amigos, conhecidos e parceiros de negócios.

É com as telecomunicações que a associação entre tecnologia, comunicação e informação ganha um significado completamente novo. Segundo Laudon e Laudon (2004), “a telecomunicação pode ser definida como a comunicação de informação por meios eletrônicos, usualmente envolvendo alguma distância".

As invenções na área de telecomunicações originadas principalmente nas décadas de 1960 e 1970 deram origem à Revolução da Informação, aquela na qual um novo paradigma passou a orientar nossas ações e pensamento. A informação é a matéria prima dessa maneira nova de pensar e agir, e a tecnologia é o seu meio de produção, veiculação, armazenamento, transformação. “Na era digital a moeda forte de troca é a informação, acessível e universal.” (Gehringer & London, 2001).

É principalmente através dessa revolução que
tecnologias da informação e comunicação passam a
permear toda a atividade humana e, principalmente, a
aplicar a sua lógica de redes em qualquer sistema ou
conjunto de relações.

A invenção da Internet, da World Wide Web (WWW) e, dentro dessa, da Web 2.0 representam um importante marco dessa nova forma de sociedade, a Sociedade da Informação.

Manuel Castells (2000), sociólogo americano, escreveu no início do século XXI uma obra, em três volumes, na qual sintetiza e analisa socialmente e economicamente a Sociedade da Informação ou da Sociedade em Rede. A respeito do novo paradigma instaurado pela mesma, ele descreve suas cinco características principais:

(i) a informação como matéria prima;
(ii) a interpenetrabilidade das novas tecnologias a um maior número de
espaços da atividade e da vida humana;
(iii) a aplicação da lógica da rede a diferentes meios, contextos;
(iv) a flexibilidade, a capacidade de reconfigurar, reorganizar, reformular passam a ser fundamentais e caracterizam uma fluidez na sociedade e suas instituições;
(v) a convergência e a integração de tecnologias.

 Esse novo paradigma da Sociedade da Informação implica em transformações na noção de tempo e espaço, na produtividade, na competitividade, na economia  global e nas empresas, no mercado de trabalho e na noção de trabalho em si, bem como como no estudo e na formação profissional, introduzindo a necessidade quase compulsória de formação ao longo da vida, ou seja, a idéia de que sempre precisaremos estudar e nos aperfeiçoarmos profissionalmente (Castells, 2000).

 Clay Shirky (2011) afirma que as novas tecnologias, ao colocar milhões de pessoas conectadas, produzindo, consumindo e compartilhando informações são responsáveis pela formação do “excedente cognitivo”, uma soma de tempo, energia e talentos livres que, usados de forma colaborativa permitem a indivíduos isolados se unir em grandes realizações.


Nessa unidade estudaremos o que são novas tecnologias da informação e comunicação (NTIC), algumas das mudanças que elas trouxeram para nós enquanto sociedade e como pessoas, especialmente como aprendizes e futuros profissionais da Psicologia.


Buscaremos refletir quais são os limites e possibilidades engendrados por novas tecnologias ao estudo e formação profissional.


Para isso, convidamos você a:

• Assistir aos vídeos e ler os materiais dessa primeira unidade de estudo em nossa sala de aula virtual no Blackboard e depois disso,
• Participar de um fórum de debate sobre Novas Tecnologias no Ensino Aprendizagem – INTEA.

Vamos começar?
INTEA

GLOSSÁRIO

Aproveite esse espaço para destacar as novas palavras e conceitos encontrados ao longo desse roteiro ou da unidade de estudo e seus significados.





REFERÊNCIAS
Castells, M. (2000). A Sociedade em Rede: A era da informação – economia, sociedade e cultura. V.01.
São Paulo: Paz e Terra.
Gehringer, M., & London, J. (2001). Odisséia Digital. Rio de Janeiro: Abril.
Laudon, K. C., & Laudon, J. P. (2004). Sistemas de informação gerenciais. São Paulo: Prentice Hall.
Shirky, C. (2011). A Cultura da Participação: criatividade e generosidade no mundo conectado. Rio de
Janeiro: Zahar.
Veen, W., & Vrakking, B. (2009). Homo Zappiens: educando na era digital. Porto Alegre: Artmed.
Veraszto, E. V., Silva, D., Miranda, N. A., & Simon, F. O. (2005). Tecnologia: Buscando uma definição para
o conceito. Prisma.com, v.1, n.1, pp.1-24.





Texto retirado do Roteiro de Estudos Unidade 01 conforme publicano no Blackboard.